domingo, 20 de novembro de 2011

Bilhete de Esmerilhadeira.


Meu bem, me desculpe
Ah, e não me culpe
Se deixei seu coração cair sem querer
É que quando fui ver,
Jazia no chão, todo quebrado!

-Ops.

Ah, vá, perdoe
Perdoe esta mulher
Um ambulante desastre natural
Que não lhe fere por mal

Que machuca com mãos, sem olhos,
Cega de túneis sem luzes no final!
Que não deve, também não teme
E que não tem um pingo de vergonha:
-Ela se foi com o cordão umbilical.

Ah, e vá desculpando os arranhões também.
E as manchas.
E as mordidas...

-Ops.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Tchibum.



Meu Coração mergulhador
Sem medo d'água, o sem-vergonha!
Olhou prum lado, pro outro,
Tirou a roupa e TCHIBUM!
-Quis nem medir distância,
E quase bate a cara na pedra!

Agua fria e salgada,
Mas quem diabos liga?
Lá do alto, onde ele tava
Dava pra ver que a água era limpa...

Meu Coração, mergulhador e alpinista,
subiu de novo.
'Um salto desses deve se repetir', pensou a peste.

Mas chegaram proibindo
-Gente pelada não pode nadar!
Cubra-se, ou suma daqui!
E meu Coração, um pelado sem-vergonha,
Deu meia-volta e TCHIBUM mais uma vez

'Qual o quê, só uma vezinha não mata
e nem tira pedaço!'

Mergulhou,
mergulhou
e mergulhou

E lá pelas tantas, PÁ!
Bateu a testa no fundo do mar.
-Toma, danado.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lembrete.



Se qualquer dia desses
Um beijo eu te mandar
E o vento levar pro lado errado
Parar na testa,
Na bochecha,
Na ponta do nariz (!),
Por favor, meu amor,
Tire o beijo daí.
E apregue no lugar que é de direito!
Mas apregue mesmo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Não gosto de títulos, e



Decoro meus versos,
Ponho rima, ponho rímel
Perfume, corpo,
Até flor no cabelo!

E quebro o decoro:

-Clichê, não-clichê, clichê.

É chique, ou o que?

Canso-me, cansada metáfora,
Tão abusada, pobrezinha...
Poupem-na!

Textos inertes,

Gentes inertes,

Pobres almas inertes.

E cadê a Poesia??

-Ta ali, coitada.
Se escondeu de vergonha,
porque a roupa tá surrada.

Já eu,
Cansei de clichê.
Agora, eu quero é chiclé!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Poema para a Pupila


Entre um olho e o outro
Tão pouco espaço
Tão pouca pele!
Mas entre meu e teu olho
O tamanho é menor...
E o tempo? nem comentamos!
Num singelo piscar do olho teu
Eu me vi completa e nua,
Completamente nua,
Nua ao teu olho nu .
-Pupila saliente!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Chorinho do Pierrot



Onde a hora silencia
E afoga a alma em poço
Atravesso inteiro um corso,
E Pierrot é companhia.

Pierrot malamanhado
Maltrapilho e assanhado
Até ri de orelha à outra:
-Só tem um dente na boca!

Meio alegre, meio triste
Alma é bandeira em riste:
Sabe nem que mal existe
No coração da colombina.

domingo, 18 de setembro de 2011

EU, TE, AMO.



Três palavras, sete letras:
Duas toneladas, cada.
-Porque lhes soltam a todo momento?
E se jogarem bem alto,
não tem medo de caírem em cima de alguém
e esmagar?

Uma tragédia.

Ah, se cada grito que dessem a ti fosse real, Amor,
Aposto que até o céu mudaria de cor,
Nuvens se esconderiam de vergonha!
-Afinal, seria um desfrute tapar o Sol assim.

Penso que Amor é mais bonito mudo,
Mas mudo logo de ideia.
Ele é daqueles tipos tagarelas,
Nunca dizem o que querem dizer.

Amor a gente vê na pupila de quem ama,
Nos pelos da pele de quem nos toca,
E naquele espacinho entre o corpo da gente
E os braços do outro...
Amor a gente não acha no coração.
E se alguém duvidar, que faça biópsia em si mesmo!