quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Chorinho do Pierrot



Onde a hora silencia
E afoga a alma em poço
Atravesso inteiro um corso,
E Pierrot é companhia.

Pierrot malamanhado
Maltrapilho e assanhado
Até ri de orelha à outra:
-Só tem um dente na boca!

Meio alegre, meio triste
Alma é bandeira em riste:
Sabe nem que mal existe
No coração da colombina.

domingo, 18 de setembro de 2011

EU, TE, AMO.



Três palavras, sete letras:
Duas toneladas, cada.
-Porque lhes soltam a todo momento?
E se jogarem bem alto,
não tem medo de caírem em cima de alguém
e esmagar?

Uma tragédia.

Ah, se cada grito que dessem a ti fosse real, Amor,
Aposto que até o céu mudaria de cor,
Nuvens se esconderiam de vergonha!
-Afinal, seria um desfrute tapar o Sol assim.

Penso que Amor é mais bonito mudo,
Mas mudo logo de ideia.
Ele é daqueles tipos tagarelas,
Nunca dizem o que querem dizer.

Amor a gente vê na pupila de quem ama,
Nos pelos da pele de quem nos toca,
E naquele espacinho entre o corpo da gente
E os braços do outro...
Amor a gente não acha no coração.
E se alguém duvidar, que faça biópsia em si mesmo!

sábado, 20 de agosto de 2011

Então...



Furei fila afoita
Forçando o frasco à forca.
Foda, né?
Foda.

Faço fina falsa força
Fossa feita em peito-teu
Faço samba e bossa-nova,
Faça verso em dedo meu!

Fraco fio de rima solta
Faz frio quando se fia?
-Faz é fogo.
Foda, né.

domingo, 14 de agosto de 2011

lou.cu.ra

(Subst. Fem. Sing.):
É quase exatamente o que ocorre
Quando os pólos da cabeça
Tomam uma séria decisão:
Brincar de esconde-esconde.
-Mas quem apagou a luz!?
É um caçando o outro
Sem lamparina, sem bússola
No breu da noite, sem lua,
Onde nenhum juízo se acha.
E riem-se, à la vonté!
(Anarriê, moinhos de vento.)
E se faísca afoita de luz se faz,
Logo cospem em cima.
-Mas quem apagou a luz!?

sábado, 30 de julho de 2011

Licença Poética


Eu gosto de tu,
Assim desse jeito,
Matando Gramática;
Acho feio coisa entre mim e ti.
Pra mim é eu e tu, e tu mais eu
E não há Mestre que me conserte!

É nós em um
Num singular todo torto,
Erro doido sem fim.
-É pra eu, ou pra mim?

Mim não faz, só recebe
Mim não teme, mas deve
De tu pra mim,
E de eu pra tu.

Mim tem nem ética!
Só por causa que te gosto,
Perdi minha licença poética.
(Então, gostar-te-ei de jeito mudo!)

-Rum.

Sexo.


Engula-me, engula-me!
Afoga-me em saliva;
Depois de morta, degluta-me.
-Envolva-me,
E devolva-me a mim.
Tal qual quem nunca quis
Que não quis nem permissão
De quem não queria, mas queria...
Escuta-me.
Diga-me se ouve o mesmo que eu
Ouçamos no mesmo tom,
Ousamos na mesma Língua.
São duas bocas num ouvido só:
-Engula-me.