sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Das Casualidades.


-Olhaí, quem é vivo sempre aparece!
(Mãos nos bolsos, olhar vago...)

-E aí, beleza?
-Beleza...
(PAUSA.)
-Como tens andado?
-Ando contando meus passos, seguindo minha própria sombra, rindo das mesmas piadas, ouvindo as mesmas músicas, vendo os mesmos rostos, os mesmo sóis, cometendo os mesmos erros... Tenho vivido a mesma vidinha de sempre. E tu?
-Boêmia, como sempre. Já não conto meus passos, entrei em novas estórias, engatei-me em novos amores, sofri outras dores, fui "mais-feliz-que-nunca" por várias e várias vezes, e os erros agora são outros... tá indo, a vida.
-Legal.
-Hm.
-Ei, tem compromisso hoje?
-Não, porque a pergunta?
-Por nada não...anh...vou indo, então.
-Vá pela sombra, rapaz!
-Sempre, sempre...

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Como é belo, como é belo...



-Belo o quê?
Teu quê de anedota escrita de qualquer jeito
No rodapé de um livro qualquer.
Teu quê de anjo despenado;
Presley despenteado e rouco.
Teu quê de neologismos, palavras
Soltas de qualquer jeito
Teu quê de caricatura, teu quê de existir...
-Belo!?!?
Sim, Belo.

sábado, 27 de setembro de 2008

Distorção


De que me valeria tanta amargura
Se me falha a memória,
Se não me vale a loucura
Se não me causa tontura
Se não me importa a história?
Dê-me apenas um cigarro
Pare na próxima esquina
E atire-me do carro:
Cuide da minha lucidez
Iniba a nossa timidez...



Pronto, já pode acordar.




(Filme recomendado: Donnie Darko.)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Crepúsculo.


Um fio de vida, a glória da morte.
Ah, se meus pesares outrora dormentes
Virassem asas
Asas estas que me levariam ao fundo do mundo
Ao fundo desnudo
-fundomudodoceano.-
Um fio de glória, a vida da morte
outrora profunda...
Que nossos ais um dia se calem.

(03/2008)

domingo, 24 de agosto de 2008

De Pássaros e Peixes.

-Já ouviu Zeca?
-Que zeca?
-O Baleiro, eu gosto dele.
-Nunca...a gente pede qual sabor?
-Napolitano, eu acho...vai cobertura?
-Não, acho enjoativo.
(sorvete, conversa, sorvete-sorvete-sorvete, conversa...)
-E Bukowski?
- Quê que tem?
-Perguntando se cê já leu...
-Não.
-Ah.
(...)
-Poxa, a gente é tão diferente...
-Sério? Não acho.
-Nossos signos nem combinam.
-Mas a gente combina, eu acho.
-Não, a gente não combina.
-Claro que combina...pelo menos o sabor preferido de sorvete é o mesmo!
-Anh...não. Ei, olha a Lua!
-É, tá linda. Viu o jogo de vôlei hoje?
- Não vejo jogos com freqüência...é, tá linda mesmo.
-Uhum...ei, já vou indo.
-Mas já? Fica, vai...
-Não posso, tá ficando tarde. Ei, cuidado com o...
(cotovelo-mesa-taça-sorvete-vestido-preto-mancha-MERDA!)
-Quer carona? Não vou te deixar pegar um táxi desse jeito.
-Humm, ok.
(...)
-Pronto, chegou quase inteira em casa.
-Brigada, brigada mesmo!
-Por nada, né?
-Por nada uma ova! Quando a gente se vê de novo?
-Amanhã, eu acho.
-Certo...Ei!
-?
-Nada.
-Nada?
-Ah, você sabe...
-É, sei.
-Sabe?
-Sei, sinto. Lance de reciprocidade, entende?
-Aah. Até amanhã, então.
-Com certeza...


(música incansavelmente executada zilhões de vezes hoje: Comigo, do cantor supracitado.)

:)

domingo, 10 de agosto de 2008

"Oba, Fim de Férias!"



Tá, eu assumo. Nunca na minha curta vidinha pensei que fosse dizer isso com tanta sinceridade e alívio (e sem nenhum sorrisinho sarcástico ou expressão sado-masoquista no rosto), mas praticamente nove meses de um ócio quase-puro também cansam, e como!
Foram nove meses de folga, festas, preguiça, cama-café-cama-almoço-cama-computador-cama, viagens, cama-café-cama-almoço-cansei-vou-tocar-violão, mais festa, mais folga, ócio, ócio, ócio...
Agora, chegou a hora de começar a batalhar de novo.
Licença, gente, mas eu vou ter que correr atrás de um "sonho acolá"... ;)
Postarei e comentarei com menos freqüência, obrigada pelos elogios, apoios e críticas também, foram de grande ajuda!

Até qualquer dia-de-inspiração desses...


Abraços a todos.

:D

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Pai.

Meu Herói de gibi
Com sorriso de bala
Um mimo, um abraço
Meu anil de arco-íris
Cor-de-giz-de-cera.
O carinho, o sermão;
Barquinho de papel
Na beira da lagoa
A saudade, o assovio
Meu menininho,
meu guia-mor...
Me deito e me escondo
Num abraço de urso
Me sento e escuto
O silêncio em teu rosto.
Entremos no mar
Subamos os montes
Desafiemos quimeras
Monstros, homens...
O medo vira brinquedo
E a vida, simplicidade
Tão simples, o amor;
Tão pura, a Alegria!




Um bom Dia dos Pais a todos. :)