quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lembrete.



Se qualquer dia desses
Um beijo eu te mandar
E o vento levar pro lado errado
Parar na testa,
Na bochecha,
Na ponta do nariz (!),
Por favor, meu amor,
Tire o beijo daí.
E apregue no lugar que é de direito!
Mas apregue mesmo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Não gosto de títulos, e



Decoro meus versos,
Ponho rima, ponho rímel
Perfume, corpo,
Até flor no cabelo!

E quebro o decoro:

-Clichê, não-clichê, clichê.

É chique, ou o que?

Canso-me, cansada metáfora,
Tão abusada, pobrezinha...
Poupem-na!

Textos inertes,

Gentes inertes,

Pobres almas inertes.

E cadê a Poesia??

-Ta ali, coitada.
Se escondeu de vergonha,
porque a roupa tá surrada.

Já eu,
Cansei de clichê.
Agora, eu quero é chiclé!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Poema para a Pupila


Entre um olho e o outro
Tão pouco espaço
Tão pouca pele!
Mas entre meu e teu olho
O tamanho é menor...
E o tempo? nem comentamos!
Num singelo piscar do olho teu
Eu me vi completa e nua,
Completamente nua,
Nua ao teu olho nu .
-Pupila saliente!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Chorinho do Pierrot



Onde a hora silencia
E afoga a alma em poço
Atravesso inteiro um corso,
E Pierrot é companhia.

Pierrot malamanhado
Maltrapilho e assanhado
Até ri de orelha à outra:
-Só tem um dente na boca!

Meio alegre, meio triste
Alma é bandeira em riste:
Sabe nem que mal existe
No coração da colombina.

domingo, 18 de setembro de 2011

EU, TE, AMO.



Três palavras, sete letras:
Duas toneladas, cada.
-Porque lhes soltam a todo momento?
E se jogarem bem alto,
não tem medo de caírem em cima de alguém
e esmagar?

Uma tragédia.

Ah, se cada grito que dessem a ti fosse real, Amor,
Aposto que até o céu mudaria de cor,
Nuvens se esconderiam de vergonha!
-Afinal, seria um desfrute tapar o Sol assim.

Penso que Amor é mais bonito mudo,
Mas mudo logo de ideia.
Ele é daqueles tipos tagarelas,
Nunca dizem o que querem dizer.

Amor a gente vê na pupila de quem ama,
Nos pelos da pele de quem nos toca,
E naquele espacinho entre o corpo da gente
E os braços do outro...
Amor a gente não acha no coração.
E se alguém duvidar, que faça biópsia em si mesmo!

sábado, 20 de agosto de 2011

Então...



Furei fila afoita
Forçando o frasco à forca.
Foda, né?
Foda.

Faço fina falsa força
Fossa feita em peito-teu
Faço samba e bossa-nova,
Faça verso em dedo meu!

Fraco fio de rima solta
Faz frio quando se fia?
-Faz é fogo.
Foda, né.

domingo, 14 de agosto de 2011

lou.cu.ra

(Subst. Fem. Sing.):
É quase exatamente o que ocorre
Quando os pólos da cabeça
Tomam uma séria decisão:
Brincar de esconde-esconde.
-Mas quem apagou a luz!?
É um caçando o outro
Sem lamparina, sem bússola
No breu da noite, sem lua,
Onde nenhum juízo se acha.
E riem-se, à la vonté!
(Anarriê, moinhos de vento.)
E se faísca afoita de luz se faz,
Logo cospem em cima.
-Mas quem apagou a luz!?