domingo, 19 de junho de 2011

Aula de Português.



Hoje aprendi um verbo novo:
-Vilipendiar-se.
Difícil e feio até no significado.

CONFISSÃO


(imagem meramente ilustrativa.)

Nunca lavei dinheiro na vida.
Nunca sequer usei paletó
E nem bigode - acho que não me cai bem.
Tampouco pintaram-me as poupanças de fúcsia!
-Contento-me em lavar a carteira
Suja de tanto trocado pouco e morto
Mas que, para seu Governo, é justo e limpo!
Grana preta eu nunca vi
De preto, só grude na carteira
Que lavo e limpo,
De alma livre e lavada.

Explicação Ortográfica



Há tanto porquê
Pra toda coisa no mundo
Que só um 'porque' não bastava;
Talvez por isso nos inventaram quatro.
-Mas por quê?
-Porque sim.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sem pé, nem...



O que diabos se passa nessa mente, hein?
Sejá lá qual for tua idéia, Cabeça,
Sejam suas vãs filosofias de filas de espera
Pensamentos de ônibus lotados,
Ou divagações de beira de rua,
O que cê pensa que tá pensando!?

Haja tempo, querida, haja tempo
E veja se espera por mim!
Porque Tempo, mesmo lerdo, teve pressa...
Demorou cem anos, daqui de baixo.

E espere com carinho, moça;
Seja em meio de penca de gente na fila,
Ou numa selva de sovacos no meio dum trem.


Olhe, Cabeça,
Se for pensar em mim, por favor, pense em mim.
Pense esquerdo, quente e macio
Pense assim
Num invente de pensar na pressa não, que quero ficar aí,
Até que algum maldito fure a fila.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ao pé do Olvido.



Amigo, escute bem!
Ande, tire logo esta cera do ouvido
-Guarde para discursos políticos.
Ouça somente o que lhe digo
Mas não leve como conselho!
Pois estes, meu irmão, nem eu sigo.
Vida, cedo ou tarde, há de te envelhecer.
Vai te levar de mãos dadas -e bem dadas!- até Dona Morte
Bem no dia que lhe cair bem.
Há que envelhecer, meu querido!
Até as folhas amarelam e secam, perdem o cheiro
(Mas este teu cheiro, tão colegial, há de ainda ficar.)
Lembre-se mais, Amado, nem invente feitio de assassino!
Não mate pessoas, tampouco o Português.
Temos somente três coisas a matar:
O Tempo, muriçocas e a Saudade.


(Postagem especial para um projeto especial: http://sociedadedospoetasporvir.blogspot.com/ . Viva a comunidade sócio-poética!)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nude

Esse mundo labirinto
Cheio de caminhos-Caracol
Ah, corro destrambelhada ao redor!
Corro, sem freio e sem ré;
E penduro minhas roupas na primeira estrela que aparecer.
Com peito e alma nus, grito à trilha:

-Eu quero um mundo nu, só para mim!
Ou talvez eu o divida com o céu,
Que nem sei se precisa de mais terra pra cobrir...
Mas só deixo se for o Céu.

-O Céu, azul de palidez e imensidão

Maior que vento,
Maior que mar,
Maior que terra...
(uns dois dedos a mais, somente.)

Um instante, um ano-luz
Cor de flash de fotógrafo amador
O tempo entre um tapa e um grito
Um segundo de uma década qualquer.
Um milésimo do ato reflexo...
Só um instante!

E mais outro,
E mais outro.

-alguém me disse que
É de instante em instante
Que se faz um 'para sempre'.

sábado, 16 de abril de 2011

-Eu sou um bêbado.

Assim, e só,
Tal qual tantos outros são,
Tantos outros sãos.
Visto-me em rótulos
Ah, belas pin-ups!
-Mulheres que nunca terei nas mãos
A não ser em garrafas e sonhos.

Tropeço sempre minhas três vezes
Vou com a cara no cimento
Quebro um ou dois dentes,
Mas nem sinto...
Sinto que alguém roubou meus sentidos no balcão daquele boteco,
E eu nem vi.

Sou um bêbado.
Um bêbado desacordado, desleixado
Com nada na cabeça, a não ser o nome da mulher amada:
-Ah, Sônia...ou seria Ângela?
Sou um bêbado, poxa,
Nada mais me interessa
Que não seja a próxima dose...

Sou um menino de colo
Frágil, sem consicência,
Mal consigo caminhar...
E sou o dono do bar!
Até que meus trocados não mais permitam:
Depois, viro o dono das calçadas.

Sou só um bêbado, gente.
Sou um ébrio, até ser nada,
Então perco os sentidos:

Perco as chaves,
Perco a hora,
Perco a cabeça,
E perco o freio.