terça-feira, 17 de maio de 2011

Nude

Esse mundo labirinto
Cheio de caminhos-Caracol
Ah, corro destrambelhada ao redor!
Corro, sem freio e sem ré;
E penduro minhas roupas na primeira estrela que aparecer.
Com peito e alma nus, grito à trilha:

-Eu quero um mundo nu, só para mim!
Ou talvez eu o divida com o céu,
Que nem sei se precisa de mais terra pra cobrir...
Mas só deixo se for o Céu.

-O Céu, azul de palidez e imensidão

Maior que vento,
Maior que mar,
Maior que terra...
(uns dois dedos a mais, somente.)

Um instante, um ano-luz
Cor de flash de fotógrafo amador
O tempo entre um tapa e um grito
Um segundo de uma década qualquer.
Um milésimo do ato reflexo...
Só um instante!

E mais outro,
E mais outro.

-alguém me disse que
É de instante em instante
Que se faz um 'para sempre'.

sábado, 16 de abril de 2011

-Eu sou um bêbado.

Assim, e só,
Tal qual tantos outros são,
Tantos outros sãos.
Visto-me em rótulos
Ah, belas pin-ups!
-Mulheres que nunca terei nas mãos
A não ser em garrafas e sonhos.

Tropeço sempre minhas três vezes
Vou com a cara no cimento
Quebro um ou dois dentes,
Mas nem sinto...
Sinto que alguém roubou meus sentidos no balcão daquele boteco,
E eu nem vi.

Sou um bêbado.
Um bêbado desacordado, desleixado
Com nada na cabeça, a não ser o nome da mulher amada:
-Ah, Sônia...ou seria Ângela?
Sou um bêbado, poxa,
Nada mais me interessa
Que não seja a próxima dose...

Sou um menino de colo
Frágil, sem consicência,
Mal consigo caminhar...
E sou o dono do bar!
Até que meus trocados não mais permitam:
Depois, viro o dono das calçadas.

Sou só um bêbado, gente.
Sou um ébrio, até ser nada,
Então perco os sentidos:

Perco as chaves,
Perco a hora,
Perco a cabeça,
E perco o freio.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Terça do Carnaval.




Oxente, Poeta
Que doença te acomete
Que não escreve nem um lá?
-É que minha poesia foge
Vai mexer bumbum no samba
Sua melhor máscara põe
E sai a beijar seus mil foliões.
Ah, mas ela volta!
Desbotada e cinza numa quarta-feira
Sem pulmões, com meio-fígado,
-Ressaca de Amor, das piores!
Mas ela volta, vivinha.

Sou dessas.



-Quem aqui é romântica?
Pra começo de história,
Eu nem quero um Amor sóbrio.
Quero um daqueles bêbados:
Amores bêbados me põem um riso na boca.
Não quero um com gosto de café aguado
E pão massa grossa dormido.
Quero Amor de Domingo
Chuvoso, que seja.
-Aceita-se também um quente,
Com cara de samba e feijão.

Eu não quero um Amor esquecido:
O meu tem que ser boêmio, aliás.
Pegar chuva sem brigar
Trovejar caso precise...
E deve falar palavrões!
Ah, e abrir latas de palmito.
-Teremos sempre tira-gosto à mesa.

Quero desses tipos de Amor que fedem a vinho
Com meio maço de cigarro suave
(Sim, suave. O resto não me cai bem.)
Eu quero um monte de defeito
E mais um monte de raiva
E aperto no peito, dos grandes!
Quero isso tudo sumindo num beijo só.

Eu quero um Amor preguiçoso
Estirado na rede, dorminhoco
E um Amor hiperativo
Desses tipos que sacodem a gente!

Eu não quero um Amor de cinema.
(Dizem que tudo ali é questão de beijo técnico)
Quero mesmo é um desses, de verdade,
Escrito com 'A' maiúsculo e tudo.
-Tem, Moço?

sábado, 5 de março de 2011

Mais um de Guardanapo


Faz-se verso, vértice oblíquo,
Em bar com blues, meia-luz de poste
-Mais um martini!
(Olhos cor-de-ave flutuam pelo balcão)
Ah!, se o garçon,

ou o poste,

ou o vértice do meio-fio

ou cerejas em meus martinis

Soubessem do que habita no verso
de minhas lentes de contato.
Se rima afago e me afogo,
Formigueiro de palavras!
D'aonde sai cada coisa...
-Nem gosto.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Declaração de Amor


-E eu, que nem te queria!
Vale lembrar, até
Que te via em mil defeitos
Vivia em meus sem-versos
Me via em teus mil-versos
Comi tuas rimas com olhos!
-Gulosa.
Fato é que nem te queria.
E fato é que te gosto.
Te degusto em meu silencio
Pedaços teus mordo com as mãos
Um doce na boca de menino danado.
-Ah, Danado.
Fato é, dito e repetido
Que te gosto em teus defeitos
Me odeio em teus mil-versos
E te quero em outros mil,
Mas basta!

-É que Amor que O é
Não se faz em brigadeiro de panela.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Diabéisso?

(Foto da Frei Serafim, algum dia de por de sol em 2010. Tentativa piegas da Poeta que vos fala.)

Ei, tu
Que me apoquenta até o inferno
Faz ter bilôra de Alegria
Que Mundo num fede nem cheira!
Ei, tu
Que me esquenta o juízo 
Aí, esfria num beijo
Mas deixa quente meu corpo
-Diabéisso?
Olhe, rapaz
Num faça mais isso
Me largue de mão
E nem traga mais flor!
Porque é cheiro que me atenta
E como me atenta!
Caninana.
Eu vou me vingar!
Vingança bonita de novela das oito
Vou esperar o tempo que for,
Pra roubar um teu-minuto.