domingo, 6 de fevereiro de 2011

Declaração de Amor


-E eu, que nem te queria!
Vale lembrar, até
Que te via em mil defeitos
Vivia em meus sem-versos
Me via em teus mil-versos
Comi tuas rimas com olhos!
-Gulosa.
Fato é que nem te queria.
E fato é que te gosto.
Te degusto em meu silencio
Pedaços teus mordo com as mãos
Um doce na boca de menino danado.
-Ah, Danado.
Fato é, dito e repetido
Que te gosto em teus defeitos
Me odeio em teus mil-versos
E te quero em outros mil,
Mas basta!

-É que Amor que O é
Não se faz em brigadeiro de panela.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Diabéisso?

(Foto da Frei Serafim, algum dia de por de sol em 2010. Tentativa piegas da Poeta que vos fala.)

Ei, tu
Que me apoquenta até o inferno
Faz ter bilôra de Alegria
Que Mundo num fede nem cheira!
Ei, tu
Que me esquenta o juízo 
Aí, esfria num beijo
Mas deixa quente meu corpo
-Diabéisso?
Olhe, rapaz
Num faça mais isso
Me largue de mão
E nem traga mais flor!
Porque é cheiro que me atenta
E como me atenta!
Caninana.
Eu vou me vingar!
Vingança bonita de novela das oito
Vou esperar o tempo que for,
Pra roubar um teu-minuto.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Aos Homens.


(Para uma criatura Ana-Crônica.)


Moça com quê de Anjo,
Onde há quê de Demônio.
-Cigarro?
Se quer a Ruindade,
Não há cão que te aguente,
Nem demônio que te corte.
-Morte aos ínfimos!
Há quem diga ao violão:
-Não há corda que te aguente!
Ou lençol. Ou dedos,
Ou um olho, sequer.
-Morte aos ínfimos?
Infame.
Cale a boca, você.
Você mesmo!
Que mal vale um verso.
Serve, assim sim!, a uso.
Mas a usufruto de infla-ego.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poesia de Presente.



Tem, só pra Você
Um pedaço deste peito
Uma nesga de coração,
Daquelas pequenininhas
(Uma nesguinha!)
E é das mais frágeis, veja bem.
-Cuidado com o seu lar!
Saiba, a princípio,
Que não passa de um mero pedaço
Pequeno pedaço d'um pequeno espaço
Já lotado de tanta gente
Que este, por menor que seja
E por menores que sejam seus pormenores
Saiba, Amigo-meu:
Saiba que este espaço é somente seu.
E fique bem aí.

domingo, 26 de dezembro de 2010


-Vamos sair.
-Pr'aonde?
-Não sei, diga Você.
Ache algo bom a se fazer
Algo bom de beber nuvem...
Conversemos com os postes!
Embebidos em meio-sol,
De céu da cor de vinho-tinto
Do esmalte de minhas unhas.
-Bem, podia-se comer asfalto,
Ou quiçá beijar a chuva!
-Se bem que sei que minhas unhas
Não querem se perder a céu aberto
Absortas em adivinhar as nuvens
Ou lamberem um por-do-sol apontado.
É bem verdade que minhas unhas
Na mais fina, crua e pura verdade
Querem mesmo é perder a cor
Na Tua Pele.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


Coração biscate! 
Quando cruzas tuas pernas
Tuas bonitas pernas a mostra
Como defines tua forma
Tuas formas sempre expostas!
E pintas teus cilios
Ah, teus cílios-labirintos...
-Minotauro que te guarde.
Coração biscate. 
Como quando couve-flor
Em fim de feira entardece
A ti, sobram restos
Mas a mim, Poesia!
Sim, biscate sim!
E merecidamente surrado
Tão batido quanto um clichê:
-Com gelo, limão e cachaça, por favor.
Mas o que cargas d'água
Escondes nestes decotes?
Tuas cartas na cartola,
Teus coelhos na manga...
De que te escondes?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Caça-Tempos

  
Já me disse um velho amigo
'Todo labirinto- ouça bem!-
Todo labirinto é navegável a taças de vinho.'
Bem umas cem desta de suas mãos!
- Grande Amigo, Sábio e Sacana.
Que certo dia, ainda me disse,
Por trás de seu riso-penumbra, ébrio, corriqueiro:
'Corra, mas corra com jeito
Que há de, aos trinta, não ser
Precoce-velho-quadrado,
Tão sem graça quanto jiló’.